sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Poema do Futuro




Poema do Futuro

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
Deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.

Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a terra.

António Gedeão

1 comentário:

  1. Olá!!! :D

    Tudo bem? Para ti que gostas de citações deixo-te esta:

    “Não preciso drogar-me para ser um génio;
    Não preciso ser um génio para ser humano;
    Mas preciso do teu sorriso para ser feliz.”
    Charles Chaplin

    E não te esqueças o FUTURO É NOSSO!!!! :D:D:D:D
    beijinhos***

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