domingo, 26 de abril de 2009

Dá-me Sede

Quero-te só pra mim...
Dá-me sede
Dá-me voz
Dá-me algo que te prenda
Traz-me sono
Traz-te a ti
Traz-me algo,
estou sem tempo
E quando estou contigo és
quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és
tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim
Faz-me fraco
Faz-me rir
Faz algo mais que fugir
Traz-me medo
Traz-te a ti
Traz-me algo,
estou sem tempo
E quando estou contigo
és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és
tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim
E quando estou contigo
és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo
és tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim...
Pedro Khima

Liberdade

Que todos os dias festejemos a existência de liberdade e não apenas no 25 de Abril, como acontece todos os anos e como aconteceu ontem. Espero ainda que todos respeitem a liberdade de cada um pois a "nossa liberdade acaba onde começa a dos outros" e muitas vezes esquecemo-nos disso.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Coimbra-Guarda

Hoje, sexta-feira mais uma viagem origem Coimbra destino Guarda, desta vez de comboio. Aproveitei esse tempo "mal passado" num cúbiculo (como ainda são os internacionais), raras são as viagens que faço de comboio, mas têm sempre um quê de especial, nesta sentou-se ao meu lado esquerdo uma senhora de idade, vestida de preto, e que parecia "transportar o mundo nas costas", as rugas na face pronunciavam muitos anos vividos, um sem número, por certo, de experiências e vivências que eu, provavelmente, não vou experimentar. Ofereceu-me umas bolachas, recusei, pouco tempo depois lá estava ela com um saco de amêndoas aberto e à minha frente a dizer "Tire menina, tire menina, não se envergonhe, são limpinhas!!!" e ao ouvi-la proferir tais palavras, à terçeira recusa minha lá aceitei a amêndoa que a senhora, com idade para ser minha avô me oferecia, também pensei "que mal poderia existir?". Assim, começou a viagem para mim extenuante como outras, ainda espero pela invenção da "maquineta" de teletransporte, que torne estas viagens mais curtas. Passados alguns minutos, senti um peso no meu ombro, olhei de soslaio e vi a senhora,que tinha idade para ser minha avó, recostar a cabeça no meu ombro, estava já a dormir o típico "passar pelas brasas". O primeiro instinto foi retirar o ombro, mas depois pensei novamente, "que mal a cabeça de alguém que estava cansado, que provavelmente vinha de uma consulta nos HUC, como muitos que circulam nos comboios, poderia ter sobre o meu ombro??" Dei por mim a sorrir, e a pensar o quão vulneráveis nos tornamos à medida que os anos passam. Comecei a ler o livro que andava a arrastar, a começar como quem diz, uma vez que já estava quase nas últimas páginas, tal como tinha planeado desde que a viagem começou.
O livro de que falo é o "Escrito na Minha Pele" de Nafisa Haji, uma obra notável, para quem desconhece é autora é uma americana de descendência indo-paquistanesa. Nafisa nasceu e foi criada em Los Angeles e vive actualmente no Norte da Califórnia com o marido e um filho. "Escrito na Minha Pele" é um livro incontestávelmente tocante. Aborda questões verdadeiramente interessantes como, por exemplo, o significado da família, da tradição e dos laços que unem as pessoas, apesar da distância e das diferenças culturais.
A obra relata a história de uma jovem muçulmana que, de repende, se vê perante uma escolha difícil entre as forças do seu passado – a sua religião, as suas raízes, a sua cultura – e o seu espírito independente e rebelde."Escrito na Minha Pele" já se encontra traduzido e editado em mais de uma dezena de países e vale muito a pena, a "nota preta" que o meu irmão Ricardo (pikatchu) deu por ele, obrigada =). Quando cheguei à última página, senti uma sensação de bem-estar, conforto é daqueles livros que apetece continuar a ler para acompanhar a vida das personagens, mas o acabar por ali também nos deixa um saborzinho, como que se o dever estivesse completo, como que se as peças do puzzle da vida estivessem completas.
A senhora de preto, continuava "encostada" no meu ombro, então acabando a minha leitura e a viagem ainda a meio, senti-me triste por ter deixado em Coimbra a minha mais recente aquisição "Nunca me esqueças" que comprei na feira do Livro, confesso que o comprei pensando que era uma história de amor daquelas de fazer chorar "baba e ranho", uma vez que as minhas últimas leituras têm andado à volta de factos reais da realidade das Muçulmanas, afinal estive a ler a sinópse e é um romance histórico, mas mesmo assim, tenho vontade de o ler, para quem está habituada a ler José Rodrigues Dos Santos não deve ser díficil gostar. Assim, e ouvindo a música que o meu MP3 me dava, e apenas com um Phone não fosse a senhora que continuava no sono dos justos dizer-me alguma coisa, continuei a ler a Visão, que para quem comprou esta semana, já conhece o visual desta edição, referente ao 25 de Abril, em que vêm as páginas todas com um leve risco azul, vi pessoas a lançarem olhares intrigados na minha direcção, provavelmente pairava-lhes na cabeça o porquê de para além de ter a cabeça de alguém que se via perfeitamente que era desconhecido no meu ombro, ainda estava a ler uma revista toda riscada! Foi impossível não reparar nas inúmeras referências à nova música dos Xutos e Pontapés, interpretada por Kalu, o baterista, e como não poderia deixar de ser a crónica da boca do Infernos assinada por Ricardo Araújo Pereira, a primeira página da revista que leio assim que saio do Quiosque, sempre que a compro. Esta música "Sem eira nem beira" escrita por Tim, tem como destino o Sr. Eng. José Sócrates, descrevendo a situação deplorável em que todo o país e economia se encontra mergulhado aqui ponho um excerto da música que apela à honestidadedos políticos e dos portugueses em geral: "É difícil ser honesto/É difícil de engolir/Quem não tem nada vai preso/Quem tem muito fica a rir/Ainda espero ver alguém/Assumir que já andou/A roubar/A enganar o povo que acreditou".
Por fim, e ao som dos Deolinda (fantástico grupo) o comboio parou na linha número 1 estação da Guarda, coube-me a mim acordar a senhora que ao longo da viagem tinha cambaleado com a cabeça de um lado para o outro, mas que acabava sempre por "encostar" no meu ombro, encavada pediu-me desculpas, e agradeçeu o "ombro amigo". Á minha espera estava a minha mãe, confesso que senti uma felicidade diferente quando a vi é bom estar em casa!!! E o comboio lá seguiu com destino a Paris, eu fiquei-me pela cidade, que sempre me deseja as boas-vindas com aquele frio característico.
Como não podia deixar de ser e "ASSIM À CABEÇA" desejo a todos um Feliz 25 de Abril, que comemora amanha os seus 35 anos e não deixem de dar um "ombro" a quem dele precisar, não custa nada, e parecendo que não faz-nos sentir bem.

domingo, 5 de abril de 2009

Traz outro Amigo também


Relembrando Zeca Afonso (1927-1987) grande cantor e compositor português fica uma música dele lindíssima.




Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Zeca Afonso

sábado, 4 de abril de 2009

Cartas de Amor

Hoje quando estava a vaguear pela Bertrand folheando livros, para escolher qual o próximo "alvo" vi numa distantes o livro Já Não Se Escrevem Cartas de Amor
de Mário Zambujal e instantaneamente veio à minha mente o poema do fabuloso poeta Português Fernando Pessoa, neste caso de um dos heterónimos, Álvaro de Campos. Adoro os seus poemas e a sua escrita peculiar, o poema quem me lembrei, foi como já devem ter percebido o "Todas as Cartas de Amor são Ridículas". Publico o poema e também a sua declamação, para quem apreciar, no ínicio Fernando Pessoa começa por dizer que todas as cartas de amor são ridículas, mas acaba por dizer, no fim, que rídiculo é quem nunca escreveu cartas de amor, ou melhor quem nunca amou, ou teve coragem de demonstrar "através de uma carta de amor rídicula" o seu própio amor.
PS: acabei por não comprar o livro do Mário Zambujal mas sim o "Madame Bovary", romance escrito por Gustave Flaubert, pela grande sonoridade que este romance publicado em 1857 teve na altura, e no escândalo que provocou, talvez o de Mário Zambujal seja a próxima escolha.



Todas as Cartas de Amor são Ridículas


Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas. ~
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor
É que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente Ridículas.)
Álvaro de Campos,
in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa

O aproximar das eleições

O aproximar das eleições leva a um aumento da barulheira criada pela nossa classe política. De todo não é minha intenção censurar que cada um exponha a sua opinião, o que me causa confusão é a capacidade das pessoas que dizem coisas que não correspondem literalmente à verdade dos factos tentando ludibriar os votantes.
Para mim o PS e PSD são iguais em demasia semelhantes, apesar de haver quem diga que o "D" faz a diferença ou a sua ausência marca uma posição de esquerda, lamento fazer cair por terra as utopias de uns e outros porque não é isso que os diferencia muito menos sao as suas acções.
O argumento usado pelo engº Sócrates em que apontava as marcas sociais do PS criticou o PSD por ter advogado um modelo diferente de Segurança Social, com a aplicação de dinheiros em fundos cotados em bolsa. Mas a vermos a diferença não é grande, para infelicidade do nosso primeiro-ministro, pois Portugal inteiro sabe que ainda à pouco a Segurança Social perdeu nesse jogo bolsista em volta do dinheiro, constanto ainda que havia dinheiro, em paraísos fiscais acusação que ainda não foi desmentida.
Segundo João Salgueiro os paraísos ficais não vão acabar, mas o G20 não o deve ter ouvido e então decidiu o contrário.
Segundo a sabedoria popular "vozes de burro não chegam ao céu" e pelo menos em Londres não foram ouvidas.

Sócrates processa João Miguel Tavares

O nosso primeiro-ministro que já não faz agora mais nada do que tentar tentar desenrodilhar-se do caso Freeport, resolveu processar quem faz artigos de opinião, é caso para dizer desespero a quanto obrigas!!!
Sócrates não tem estaleca para (con)viver em democracia vê-se a fazer um frete por "aturar" o povinho tentando, sim porque tentar é a única coisa que ele faz, governar segundo pauta diária. E se está absorto com o caso Freeport, a culpa é unica e exclusivamente dele, por não quer esclarecer de vez e nas instâncias próprias, o que sabe e o que eventualmente não fez.