sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O poder do sorriso :)



Nesta época natalícia ouvi ontem num programa televisivo uma frase que me ficou na mente "Não há nada mais doce que o sorriso de uma criança feliz".



Efectivamente o sorriso por si só já tem uma importância inexplicável, mas no rosto de uma criança, é efectivamente algo muito especial, porque são acima de tudo sorrisos verdadeiros e sinceros.



Temos que distinguir sorriso de riso tal como Bergson escreveu: "O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito". Por sua vez o sorriso é silencioso como a chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como a brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Porém, o riso é extroversão, o sorriso revela delicadamente o interior de quem sorri.



É inexorável o poder do sorriso e saber sorrir de forma verdadeira e espontânea é algo muito importante e que, infelizmente, não é conseguido por todas as pessoas, Antoine de Saint-Exupéry diz: "No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele".



Sorrir é o primeiro acontecimento quando um rapaz e uma rapariga se olham e se encantam. Não conseguem expressar o porquê daquele sentimento, mas não conseguem parar de sorrir um para o outro, num sorriso cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente.



Um sorriso pode dissipar uma angústia, se for verdadeiro, ou aumentá-la se for irónico, pode criar uma amizade se for sincero e transparente ou o afastamento se for hipócrita, e pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo. É assim inexplicável o poder de um sorriso e o quão importante é saber sorrir.




Termino este texto com uma frase que vinha num calendário: "Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse, ampare e... não se irrite, sorria".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A todos um grande e rechonchudo FELIZ NATAL

E porque é Natal e porque ele próprio, Fernando Pessoa ,pensou sobre esta época aqui fica com votos de um santo e Feliz Natal
NATAL
Nasce um Deus.
Outros morrem.
A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

No es que muerra de amor muero de ti

Já que a vontade de estudar é nenhuma, aqui vai um poema belissímo de Pablo Neruda, com declamação que encontrei no youtube ;)



No es que muera de amor, muero de ti.
Muero de ti, amor, de amor de ti,
de urgencia mía de mi piel de ti,
de mi alma de ti y de mi boca
y del insoportable que yo soy sin ti.

Muero de ti y de mí, muero de ambos,
de nosotros, de ese,
desgarrado, partido,
me muero, te muero, lo morimos.

Morimos en mi cuarto en que estoy solo,
en mi cama en que faltas,
en la calle donde mi brazo va vacío,
en el cine y los parques, los tranvías,
los lugares donde mi hombro acostumbra tu cabeza
y mi mano tu mano
y todo yo te sé como yo mismo.

Morimos en el sitio que le he prestado al aire
para que estés fuera de mí,
y en el lugar en que el aire se acaba
cuando te echo mi piel encima
y nos conocemos en nosotros, separados del mundo,
dichosa, penetrada, y cierto, interminable.

Morimos, lo sabemos, lo ignoran, nos morimos
entre los dos, ahora, separados,
del uno al otro, diariamente,
cayéndonos en múltiples estatuas,
en gestos que no vemos,
en nuestras manos que nos necesitan.

Nos morimos, amor, muero en tu vientre
que no muerdo ni beso,
en tus muslos dulcísimos y vivos,
en tu carne sin fin, muero de máscaras,
de triángulos obscuros e incesantes.
Muero de mi cuerpo y de tu cuerpo,
de nuestra muerte, amor, muero, morimos.
En el pozo de amor a todas horas,
inconsolable, a gritos,
dentro de mí, quiero decir, te llamo,
te llaman los que nacen, los que vienen
de atrás, de ti, los que a ti llegan.
Nos morimos, amor, y nada hacemos
sino morirnos más, hora tras hora,
y escribirnos y hablarnos y morirnos.

Pablo Neruda

domingo, 21 de dezembro de 2008

Há palvras que nos beijam

Estava aqui a tentar estudar anatomia e este poema não me saía da cabeça, vá-se lá perceber porquê, o poema é de Alexandre O'Neill, decidi juntar a interpretação da nossa fadista Mariza, junção que eu considero, simplesmente fantástica, para todos os que apreciam aqui fica...

Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Citação do Dia

Pousa um momento,

Um só momento em mim,

Não só o olhar,

também o pensamento.

Que a vida tenha fim

Nesse momento!


No olhar a alma também

Olhando-me, e eu a ver

Tudo quanto de ti o teu olhar tem.

A ver até esquecer

que tu és tu também.


Só tua alma sem tu

Só o teu pensamento

E eu onde, alma sem eu.

Tudo o que sou

Ficou com o momento

E o momento parou.


Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Te Quero - Pablo Neruda




Aqui deixo um poema, não para alguém em especial, apenas para todos os que apreciarem poesia e nutrirem especial interesse pelos poemas de Pablo Neruda
Te Quero


Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.


Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.


Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor,a sangue e a fogo.


Pablo Neruda

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sorriso das Estrelas

O sorriso das estrelas

Vi na sexta, após o espectáculo fantástico dos Deolinda no TAGV, o filme “Nidths in Rodanthe” ou “O sorriso das Estrelas”, baseado no livro de Nicholas Sparks. Já não tinha a história bem presente na minha memória uma vez que já li o livro faz algum tempo.


Adorei o filme, é uma história de amor, como são quase todos os livros escritos por ele. Porém são historias que retratam a vida real pois é pouco frequente que terminem com o “e viveram felizes para sempre” Adorei o cenário, a pousada no meio da praia é algo sumptuoso, gostei dos cavalos a passarem no final do filme e do significado desse momento.


Transmitiu-me o recado que nada na nossa vida acontece por acaso, que não há coincidências, que pequenas coisas, pequenos gestos, pequenas palavras podem alterar a nossa vida completamente.


Fica aqui um excerto do livro:
"Quando durmo, sonho contigo e, quando acordo, desejo ter-te nos meus braços. O tempo que vivemos separados mais não fará do que convencer-me ainda mais, se tal for possível, de que quero passar as noites que me restam ao teu lado e os meus dias contigo no coração (...) Quando estou a escrever-te, sinto o teu hálito, e imagino que sentes o meu quando lês o que escrevo. Também se passa o mesmo contigo? Estas cartas são agora parte de nós, parte das nossas história, uma recordação eterna do que fizemos com a nossa vida. Agradeço-te por me teres ajudado a sobreviver este ano mas, ainda mais importante, agradeço-te, antecipadamente, por todos os anos futuros (...) Pensar em ti é, quantas vezes, a única coisa que me dá vontade de continuar."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"The Man You Love" - IL Divo

Si me ves hallarás en mis ojos el amor
eres tú la mitad que a mi vida completó
Lo que soy te daré sin miedo a algun error
creo en ti y dejaré en tus manos mi ilusión.
Quiero estar dentro de tu corazón,
Poder lograr que me ames como yo.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

Quiero ser el lugar donde puedas refugiar
el temor y calmar en mis brazos tu ansiedad
Desde hoy voy a ser todo para ti
Hasta ayer te soñé y ahora estás aquí
Quiero oir tus secretos, lo que sueñes descubrir,
quiero amarte así.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

Just to be the man you love.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Humildade ou falta dela?



"Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo"







Com esta frase introduzo o tema de que venho falar a humildade ou a falta dela, que agora vigora na maioria das pessoas e que me irrita ou entristece (é um misto de emoções) quando vejo alguém comportar-se de forma arrogante, intolerante, superior sem demonstrar o mínimo de modéstia, só para não serem rotuladas de fracas.


A origem da palavra humildade vem do latim húmus, que significa, terra fértil rica em nutrientes e preparada para receber a semente.


Todos os dias, ou pelo menos quase todos os dias, ouvimos, muitas vezes sem nos apercebermos e sem darmos atenção, a palavra humildade. Julgamos todos saber o que significa, mas se nos for perguntado directamente, talvez não saibamos responder.


Muitas vezes humildade é confundida com fraqueza, especialmente no mundo capitalista em que vivemos, em que só se está bem e se é aclamado se for a “passar por cima dos outros”. A ostentação, o orgulho e a projecção pessoal com o rebaixamento ou a diminuição dos outros parecem ser virtudes. Porém, só a aparência não nos torna ricos, sábios e maiores em grandeza real e moral, e o mais importante não nos torna verdadeiramente FELIZES, e a “infelicidade cria monstros”.


Infelizmente a humildade não é como o sol que quando “nasce é para todos”, e muita gente quando se sente realizada ou atinge um certo grau de sucesso conhece três elementos que fazem a humildade desaparecer, são a ascensão, o orgulho e a vaidade…levando-nos a esquecer outros valores como o respeito e a tolerância.

Existem pessoas que sedentas de ganhar o respeito de outras fazem nascer a arrogância delas dentro de si, e essa não é, nem de perto nem de longe, uma semente boa, levando muitas vezes à destruição. O que mais me impressiona nas pessas arrogantes com que me cruzo (e acreditem que são muitas, e com isto não estou a dizer que eu também, por vezes não tenha o meu q.b. de arrogância e intolerância) é que não são capazes de se lembrar de como chegaram ao sucesso, muitos esquecem a ajuda dos amigos, da família e dos seus funcionários.


Já dizia alguém que para chegar ao sucesso não há segredo, pois o sucesso é o resultado de preparação, trabalho duro e de como aprendemos com os fracassos. Não esquecer da família, dos amigos e principalmente daqueles que com humildade no coração um dia te ajudaram sem pedir nada em troca.




"A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, apenas abençoa."


(Emmanuel, psicografado por Chico Xavier)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vai aonde te Leva o Coração



"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraía, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."

Retirado do livro "Vai aonde te leva o coração", Susanna Tamaro




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Vem aí mais um Natal


Vem aí mais um Natal e é notável pois ele está em todo lado, na publicidade da televisão, nos folhetos, nos jornais, revistas e claro na rua de todas as cidades. Com o Natal vem também o homenzinho barrigudo e de barbas brancas, que é o principal impulsionador do consumismo dialéctico, que faz com que as pessoas fiquem com a ideia que o Natal é a época do ano em que as pessoas compram coisas em exagero…que o Natal é uma época de compras por excelência.

O Pai Natal (supostamente existiria ou existirá só um) encontra-se espalhado por todas as cidades, adquirindo diferentes formas consoante esteja a vender brinquedos, electrodomésticos, bilhetes de lotaria, distribuir brindes à saída de uma superfície comercial…enfim um misto de actividades que o suposto distribuidor de prendas na noite de 24 para 25 de Dezembro foi adquirindo ao longo dos tempos com o crescente consumismo (deve ser da crise e da crescente necessidade de ganhar trocos extras).

Em todas as cidades vemos aparecerem a iluminação, que nos indica que o Natal não tarda (ou então tarda porque a maioria da iluminação aparece um mês ou mais antes do Natal), pelas ruas do comércio ouvem-se músicas alusivas à quadra…e tudo isto para fazerem sentir as pessoas felizes com uma época que já à muito perdeu o significado para muitos…e da qual já nem se lembram o verdadeiro significado da quadra.

De forma consciente ou inconsciente, é este exagero de presentes, este consumismo exagerado que agora reflecte a simbologia do Natal, e desenvolve o corrompido, viciado, falacioso e degenerado espírito natalício nas crianças de hoje que serão os adultos de amanhã…

Então pergunto-me onde andará se alguma vez existiu o verdadeiro Pai Natal? O verdadeiro espírito de solidariedade? O verdadeiro espírito Natalício?

Acredito no Natal, mas acredito que o Natal é mais que uma mera data no calendário. Fico triste quando vejo que algumas pessoas só sentem alguma espécie de compaixão nesta época. Espero que em cada Natal as pessoas fiquem mais “ricas” em sentimentos bons e que possam espalhar essa “riqueza” pelos locais familiares, profissionais e sociais.

Desejo que todos estes enfeites e sons de Natal nos levem onde sozinhos nunca chegaremos. Que pelo ano fora todos sejamos “Luzes e sons” de Natal.

Para todos um FELIZ NATAL!!!!!!! deixo-vos com uma música alusiva a esta quadra