sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O poder do sorriso :)



Nesta época natalícia ouvi ontem num programa televisivo uma frase que me ficou na mente "Não há nada mais doce que o sorriso de uma criança feliz".



Efectivamente o sorriso por si só já tem uma importância inexplicável, mas no rosto de uma criança, é efectivamente algo muito especial, porque são acima de tudo sorrisos verdadeiros e sinceros.



Temos que distinguir sorriso de riso tal como Bergson escreveu: "O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito". Por sua vez o sorriso é silencioso como a chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como a brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Porém, o riso é extroversão, o sorriso revela delicadamente o interior de quem sorri.



É inexorável o poder do sorriso e saber sorrir de forma verdadeira e espontânea é algo muito importante e que, infelizmente, não é conseguido por todas as pessoas, Antoine de Saint-Exupéry diz: "No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele".



Sorrir é o primeiro acontecimento quando um rapaz e uma rapariga se olham e se encantam. Não conseguem expressar o porquê daquele sentimento, mas não conseguem parar de sorrir um para o outro, num sorriso cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente.



Um sorriso pode dissipar uma angústia, se for verdadeiro, ou aumentá-la se for irónico, pode criar uma amizade se for sincero e transparente ou o afastamento se for hipócrita, e pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo. É assim inexplicável o poder de um sorriso e o quão importante é saber sorrir.




Termino este texto com uma frase que vinha num calendário: "Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse, ampare e... não se irrite, sorria".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A todos um grande e rechonchudo FELIZ NATAL

E porque é Natal e porque ele próprio, Fernando Pessoa ,pensou sobre esta época aqui fica com votos de um santo e Feliz Natal
NATAL
Nasce um Deus.
Outros morrem.
A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

No es que muerra de amor muero de ti

Já que a vontade de estudar é nenhuma, aqui vai um poema belissímo de Pablo Neruda, com declamação que encontrei no youtube ;)



No es que muera de amor, muero de ti.
Muero de ti, amor, de amor de ti,
de urgencia mía de mi piel de ti,
de mi alma de ti y de mi boca
y del insoportable que yo soy sin ti.

Muero de ti y de mí, muero de ambos,
de nosotros, de ese,
desgarrado, partido,
me muero, te muero, lo morimos.

Morimos en mi cuarto en que estoy solo,
en mi cama en que faltas,
en la calle donde mi brazo va vacío,
en el cine y los parques, los tranvías,
los lugares donde mi hombro acostumbra tu cabeza
y mi mano tu mano
y todo yo te sé como yo mismo.

Morimos en el sitio que le he prestado al aire
para que estés fuera de mí,
y en el lugar en que el aire se acaba
cuando te echo mi piel encima
y nos conocemos en nosotros, separados del mundo,
dichosa, penetrada, y cierto, interminable.

Morimos, lo sabemos, lo ignoran, nos morimos
entre los dos, ahora, separados,
del uno al otro, diariamente,
cayéndonos en múltiples estatuas,
en gestos que no vemos,
en nuestras manos que nos necesitan.

Nos morimos, amor, muero en tu vientre
que no muerdo ni beso,
en tus muslos dulcísimos y vivos,
en tu carne sin fin, muero de máscaras,
de triángulos obscuros e incesantes.
Muero de mi cuerpo y de tu cuerpo,
de nuestra muerte, amor, muero, morimos.
En el pozo de amor a todas horas,
inconsolable, a gritos,
dentro de mí, quiero decir, te llamo,
te llaman los que nacen, los que vienen
de atrás, de ti, los que a ti llegan.
Nos morimos, amor, y nada hacemos
sino morirnos más, hora tras hora,
y escribirnos y hablarnos y morirnos.

Pablo Neruda

domingo, 21 de dezembro de 2008

Há palvras que nos beijam

Estava aqui a tentar estudar anatomia e este poema não me saía da cabeça, vá-se lá perceber porquê, o poema é de Alexandre O'Neill, decidi juntar a interpretação da nossa fadista Mariza, junção que eu considero, simplesmente fantástica, para todos os que apreciam aqui fica...

Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Citação do Dia

Pousa um momento,

Um só momento em mim,

Não só o olhar,

também o pensamento.

Que a vida tenha fim

Nesse momento!


No olhar a alma também

Olhando-me, e eu a ver

Tudo quanto de ti o teu olhar tem.

A ver até esquecer

que tu és tu também.


Só tua alma sem tu

Só o teu pensamento

E eu onde, alma sem eu.

Tudo o que sou

Ficou com o momento

E o momento parou.


Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Te Quero - Pablo Neruda




Aqui deixo um poema, não para alguém em especial, apenas para todos os que apreciarem poesia e nutrirem especial interesse pelos poemas de Pablo Neruda
Te Quero


Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.


Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.


Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor,a sangue e a fogo.


Pablo Neruda

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sorriso das Estrelas

O sorriso das estrelas

Vi na sexta, após o espectáculo fantástico dos Deolinda no TAGV, o filme “Nidths in Rodanthe” ou “O sorriso das Estrelas”, baseado no livro de Nicholas Sparks. Já não tinha a história bem presente na minha memória uma vez que já li o livro faz algum tempo.


Adorei o filme, é uma história de amor, como são quase todos os livros escritos por ele. Porém são historias que retratam a vida real pois é pouco frequente que terminem com o “e viveram felizes para sempre” Adorei o cenário, a pousada no meio da praia é algo sumptuoso, gostei dos cavalos a passarem no final do filme e do significado desse momento.


Transmitiu-me o recado que nada na nossa vida acontece por acaso, que não há coincidências, que pequenas coisas, pequenos gestos, pequenas palavras podem alterar a nossa vida completamente.


Fica aqui um excerto do livro:
"Quando durmo, sonho contigo e, quando acordo, desejo ter-te nos meus braços. O tempo que vivemos separados mais não fará do que convencer-me ainda mais, se tal for possível, de que quero passar as noites que me restam ao teu lado e os meus dias contigo no coração (...) Quando estou a escrever-te, sinto o teu hálito, e imagino que sentes o meu quando lês o que escrevo. Também se passa o mesmo contigo? Estas cartas são agora parte de nós, parte das nossas história, uma recordação eterna do que fizemos com a nossa vida. Agradeço-te por me teres ajudado a sobreviver este ano mas, ainda mais importante, agradeço-te, antecipadamente, por todos os anos futuros (...) Pensar em ti é, quantas vezes, a única coisa que me dá vontade de continuar."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"The Man You Love" - IL Divo

Si me ves hallarás en mis ojos el amor
eres tú la mitad que a mi vida completó
Lo que soy te daré sin miedo a algun error
creo en ti y dejaré en tus manos mi ilusión.
Quiero estar dentro de tu corazón,
Poder lograr que me ames como yo.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

Quiero ser el lugar donde puedas refugiar
el temor y calmar en mis brazos tu ansiedad
Desde hoy voy a ser todo para ti
Hasta ayer te soñé y ahora estás aquí
Quiero oir tus secretos, lo que sueñes descubrir,
quiero amarte así.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

I only wanna be the man
to give you everything I can
every day and every night
love you for all my life.
I don't wanna change the world
as long as you're my girl
it's more than enough,
just to be the man you love.

Just to be the man you love.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Humildade ou falta dela?



"Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo"







Com esta frase introduzo o tema de que venho falar a humildade ou a falta dela, que agora vigora na maioria das pessoas e que me irrita ou entristece (é um misto de emoções) quando vejo alguém comportar-se de forma arrogante, intolerante, superior sem demonstrar o mínimo de modéstia, só para não serem rotuladas de fracas.


A origem da palavra humildade vem do latim húmus, que significa, terra fértil rica em nutrientes e preparada para receber a semente.


Todos os dias, ou pelo menos quase todos os dias, ouvimos, muitas vezes sem nos apercebermos e sem darmos atenção, a palavra humildade. Julgamos todos saber o que significa, mas se nos for perguntado directamente, talvez não saibamos responder.


Muitas vezes humildade é confundida com fraqueza, especialmente no mundo capitalista em que vivemos, em que só se está bem e se é aclamado se for a “passar por cima dos outros”. A ostentação, o orgulho e a projecção pessoal com o rebaixamento ou a diminuição dos outros parecem ser virtudes. Porém, só a aparência não nos torna ricos, sábios e maiores em grandeza real e moral, e o mais importante não nos torna verdadeiramente FELIZES, e a “infelicidade cria monstros”.


Infelizmente a humildade não é como o sol que quando “nasce é para todos”, e muita gente quando se sente realizada ou atinge um certo grau de sucesso conhece três elementos que fazem a humildade desaparecer, são a ascensão, o orgulho e a vaidade…levando-nos a esquecer outros valores como o respeito e a tolerância.

Existem pessoas que sedentas de ganhar o respeito de outras fazem nascer a arrogância delas dentro de si, e essa não é, nem de perto nem de longe, uma semente boa, levando muitas vezes à destruição. O que mais me impressiona nas pessas arrogantes com que me cruzo (e acreditem que são muitas, e com isto não estou a dizer que eu também, por vezes não tenha o meu q.b. de arrogância e intolerância) é que não são capazes de se lembrar de como chegaram ao sucesso, muitos esquecem a ajuda dos amigos, da família e dos seus funcionários.


Já dizia alguém que para chegar ao sucesso não há segredo, pois o sucesso é o resultado de preparação, trabalho duro e de como aprendemos com os fracassos. Não esquecer da família, dos amigos e principalmente daqueles que com humildade no coração um dia te ajudaram sem pedir nada em troca.




"A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, apenas abençoa."


(Emmanuel, psicografado por Chico Xavier)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Vai aonde te Leva o Coração



"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraía, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."

Retirado do livro "Vai aonde te leva o coração", Susanna Tamaro




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Vem aí mais um Natal


Vem aí mais um Natal e é notável pois ele está em todo lado, na publicidade da televisão, nos folhetos, nos jornais, revistas e claro na rua de todas as cidades. Com o Natal vem também o homenzinho barrigudo e de barbas brancas, que é o principal impulsionador do consumismo dialéctico, que faz com que as pessoas fiquem com a ideia que o Natal é a época do ano em que as pessoas compram coisas em exagero…que o Natal é uma época de compras por excelência.

O Pai Natal (supostamente existiria ou existirá só um) encontra-se espalhado por todas as cidades, adquirindo diferentes formas consoante esteja a vender brinquedos, electrodomésticos, bilhetes de lotaria, distribuir brindes à saída de uma superfície comercial…enfim um misto de actividades que o suposto distribuidor de prendas na noite de 24 para 25 de Dezembro foi adquirindo ao longo dos tempos com o crescente consumismo (deve ser da crise e da crescente necessidade de ganhar trocos extras).

Em todas as cidades vemos aparecerem a iluminação, que nos indica que o Natal não tarda (ou então tarda porque a maioria da iluminação aparece um mês ou mais antes do Natal), pelas ruas do comércio ouvem-se músicas alusivas à quadra…e tudo isto para fazerem sentir as pessoas felizes com uma época que já à muito perdeu o significado para muitos…e da qual já nem se lembram o verdadeiro significado da quadra.

De forma consciente ou inconsciente, é este exagero de presentes, este consumismo exagerado que agora reflecte a simbologia do Natal, e desenvolve o corrompido, viciado, falacioso e degenerado espírito natalício nas crianças de hoje que serão os adultos de amanhã…

Então pergunto-me onde andará se alguma vez existiu o verdadeiro Pai Natal? O verdadeiro espírito de solidariedade? O verdadeiro espírito Natalício?

Acredito no Natal, mas acredito que o Natal é mais que uma mera data no calendário. Fico triste quando vejo que algumas pessoas só sentem alguma espécie de compaixão nesta época. Espero que em cada Natal as pessoas fiquem mais “ricas” em sentimentos bons e que possam espalhar essa “riqueza” pelos locais familiares, profissionais e sociais.

Desejo que todos estes enfeites e sons de Natal nos levem onde sozinhos nunca chegaremos. Que pelo ano fora todos sejamos “Luzes e sons” de Natal.

Para todos um FELIZ NATAL!!!!!!! deixo-vos com uma música alusiva a esta quadra



sábado, 29 de novembro de 2008

André Sardet - Adivinha o quanto gosto de ti

Porque para dizer algo especial não tem necessáriamente de ser algo complexo, além disso "A beleza das coisas está na simplicidade" com que são ditas. E ninguém melhor que as crianças para dizerem de forma simples, rápida e sincera os seus sentimentos...por tudo isto fica a música que ainda não me cansei de ouvir :D

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O meu pirmeiro Giro

Inscrevi como voluntária na CASA (centro de apoio aos sem-abrigo) de Coimbra, mas só o dia 24 de Novembro tive a oportunidade de fazer o meu primeiro giro. Digamos que não tenha sido bem um giro, porque só conheci alguns dos sem-abrigo, uma vez que foi mesmo só para ser feita uma "apresentação" dos novos membros do projecto.


Eram quase 20h quando a coordenadora do projecto me liga e pergunta se sempre estamos preparadas para fazer a comida e ainda ir...supostamente a comida seria para uma hora mais tarde, já estava de pijama e não contava mais sair...contatei com a Diana (que por acaso estava mesmo ao meu lado no sofá) e perguntei à Laura se sempre queria ir, e claro, que nem que fosse pela curiosidade elas disseram que SIM.


Então fizémos o jantar aqui em casa...então rápido se fez um arroz e um café, o arroz embalámos em caixinhas, tudo pronto e lá fomos nós.Via o ar de curiosidade na cara da Diana e da Laura, o mesmo ar que eu provavelmente também mostrava, e na cara e voz da Claúdia via o entusiasmo, dedicação e pode-se dizer amor com que ela falava do projecto e dos sem-abrigo, falando deles como se fala de uma pessoa que já conhemos e por quem nutrimos, que mais não seja, compaixão.


Fomos até à loja do cidadão, mas o Quim (um dos sem-abrigo) hoje não estava lá...então fomos até à Avenida Sá da Bandeira onde à frente do Avenida esperava por nós o Sr. Carlos. A Claúdia foi chamá-lo e apresentou-nos ao que ele diz "caras novas" nós só conseguiamos sorrir, porque, pelo menos falo por mim, não sabia muito bem o que dizer. Dêmos-lhe a comida, e ali ficámos um bocado a falar, ou melhor, o Sr. Carlos é que falou, ainda não tinha comido nada o dia todo, e não é propriamente um sem-abrigo porque tem casa, mas falta-lhe "vontade" ou jeito para cozinhar. Lembro-me de estar a olhar para ele, como se visse alí um avô, não que se parecesse com nenhum dos meus avós, mas poderia ser...a conversa prolongou-se um bocado, notei que mais que a comida que lhe dêmos o que ele apreciava, talvez inconscientemente, era a nossa companhia, e o ter alguém com quem falar. Reparei que ele, de certo modo, sentia carinho pela Claúdia e disse uma frase, que tinha que colocar aqui, não pelo conteúdo em si, mas pelo significado e pelo momento ele disse para nós "Vocês parecem mesmo quatro bonecas!!". Enquanto estavamos ali os cinco reparei que as pessoas que passavam, tanto nos carros como a pé, olhavam para nós de lado e atrevo-me adivinhar que o primeiro pensamento seria "será que estão a ser assaltadas?" "porque estarão estas raparigas a falar com um homem neste estado?" eu pensaria o mesmo caso estivesse a passar, admito.
Então despedimo-nos do Sr. Carlos relembrando-lhe os dias e as horas em que voltaríamos, ao entrarmos no carro, lembro-me de não conseguir esconder o meu entusiasmo e de pensar "isto não é tão mau como pensei, eles são pessoas normais!!".
Seguimos então para uma fábrica abandonada, perto da estação nova, reconheço que me assustei, geralmente, pelo que nos disseram nunca iam aí, mas a Claúdia queria transmitir ao Pedro novidades sobre o facto de ele quer sair da droga. Pois, este último é sem-abrigo e toxicodepente e decidiu ir fazer uma desintoxicação, foi mesmo entusiasmante, no primeiro giro encontrarmos um caso de tentativa de recuperação. E digo tentativa, porque sei que vai ser muito difícil a saída da rua, sei que vai ser complicado a saída das drogas...sei que vai ser doloroso uma mudança assim...mas espero que no final tudo corra pelo melhor. O sem-abrigo em questão, é um rapaz, relativamente novo, de boa aparência, e ainda não muito deteriorado pelo tempo que tem passado pelas ruas...recordo-me de pensar "Se o visse na rua não dizia que era sem-abrigo".


Nessa fábrica estacionámos o carro, numa rua deserta, ela saiu e disse que os ía chamar à fábrica por um cano, entre as três que ficámos no carro comentámos "Isto é mesmo assustador, parece uma cena de filme"depois, puxámos o carro mais para a frente uma de nós (a Laura) ficou no carro, ela ficou completamente assustadinha, e confesso que eu e, que provavelmente a Diana também estávamos cheias de medo...Fomos então junto à entrada da fábrica, onde aparece o Quim, um homem magro, cabelo, relativamente, comprido e liso e mais uma vez pensei "Ele não parece um sem-abrigo" cumprimentou-nos, e foi buscar umas garrafas para pôr-mos o café...depois apareceu o Pedro (do qual já falei) e havia também um 3º que não chegámos a ver...deixámos a comida, eu e a Di viemos para o carro e o Quim entrou para a fábrica, a Claúdia ficou a falar com o Pedro, sobre as novidades.


Era para irmos conhecer os sem-abrigo que vivem nas Químicas, mas como já não havia comida, e parece que são os que passam menos mal, decidimos que o giro tinha acabado por alí. Confesso, que fiquei triste quando a Claúdia nos disse que nessa noite já não iríamos às Químicas, porque estava ansiosa por os conhecer, uma vez que os outros membros do projecto os descrevem como "uns bem-dispostos" e "uns simpáticos" estava mesmo curiosa...E foi assim o meu primeiro giro, ainda não sei se na próxima segunda-feira terei oportunidade de voltar a ir, mas sei que ficou uma experiência com a qual fiquei entusiasmada, e ficou a certeza que vou continuar.
E como se aperceberam os sem-abrigo são pessoas como as outras (com alguns problemas)...e eles poderemos ser um dia nós porque, ultimamente tenho me apercebido disso que basta um pequeno tropeção na vida. Uma crise económica mais prolongada, o espectro do desemprego, a doença, sabe-se lá o quê... O mais importante, em cada giro é tentar acalentar e tentar ajudar a devolver a dignidade da pessoa humana a cada um dos sem-abrigo. Tentar fazer com que sintam que têm alguém que se preocupa com eles, que não os vê como a escória da sociedade, e que não foge deles quando eles se aproxima, que perde (que eu não considero perder, mas sim ganhar) um pouco do seu tempo e conforto do lar para os ouvir e para lhes levar uma palavra amiga.Para mim, o saco de comida que oferecemos é apenas um pretexto.
E os voluntários, ao contrário do que muitos pensam, não são super-heróis, são pessoas normais, que dão, o que eu considero mais valioso, um bocadinho de si em cada giro...não possuem fatos à prova de balas, nem capas voadoras, apenas possuem um espiríto de entrega e muita boa vontade.Para finalizar deixo uma definição de CEGO e PARALÍTICO que tirei de um texto de Mário Quintana:

"CEGO é aquele que não vê o seu próximo morrer de frio, de fome, de misériae só tem olhos para os seus míseros problemas e pequenas dores.PARALITICO é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam da sua ajuda."

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Porque há dias que apesar de tudo podem acabar assim...



Tal como alguém (o meu escritor favorito) escreveu em Uma escolha por amor hoje parecia ser "Apenas um dia normal, em que tudo era exactamente como devia ser", teve um desfecho extremamente emocionante e que eu descreverei noutro post quando tiver mais tempo, e agora (que já devia estar na caminha) lembrei-me de um poema de Cora Coralina:

Não sei...

Não sei... se a vida é curta

ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

não seja nem curta,nem longa demais,

Mas que seja intensa,verdadeira, pura...Enquanto durar.

sábado, 22 de novembro de 2008

Alquimia do Amor...

Para estrear o meu blog começo por comentar o livro que acabei de ler à poucas horas e que mais uma vez me fascinou e emocionou (mesmo à maneira de que só Nicholas Sparks consegue), este é uma continuação do "Diário da nossa paixão". Porém, confesso que a melhor parte do livro se guarda mesmo para o fim, nas últimas dez páginas encontra-se guardado o final, atrevo-me a dizer, mais bonito que já alguma vez li.
Em poucas palavras "Alquimia do amor" relata a vida de um casal Jane e Wilson, em que o marido por questões de trabalho não deu, durante o casamento valor à sua mulher, até que um dia (ao esquecer-se do aniversário de casamento) percebeu, finalmente, que tinha que mudar. Para isso decidiu inspirar-se em Noah, para tentar reconquistar a mulher.
É a prova que o amor pode renascer após vários anos de partilha. Fez-me acreditar que apesar de todas as falhas cometidas, o amor pode ser a força capaz de superar tudo...a força de perdoar. Uma das partes que gostei foi o facto de Allie dizer que os cisnes têm sempre o mesmo companheiro toda a vida afirmando que para ela: "Para ela era a prova de que o amor é a mais poderosa força que existe na Terra."
Um livro que aconselho, e agradeço à Laura por me ter emprestado :), um autor que admiro e histórias que, infelizmente, só existem nos livros, pelo menos a parte boa das histórias.
Só lendo vão perceber o significado do cisne na capa :P